Economistas estão otimistas pela primeira vez desde agosto de 2008
Luana Cristina de Lima Magalhães
Pela primeira vez desde agosto do ano passado, os economistas estão otimistas. É o que revela o ISE (Índice de Sentimento dos Especialistas em Economia), medido pela Fecomercio, em parceria com a Ordem dos Economistas do Brasil. O índice ficou em 105,4 pontos em julho, o que denota uma alta de 10% sobre junho, superando, inclusive, os níveis pré-crise. Pontuações superiores a 100 indicam otimismo.
Em relação a julho do ano passado, o crescimento foi de 4%. A pesquisa foi divulgada nesta quarta-feira (5) pela Fecomercio-SP (Federação do Comércio do Estado de São Paulo).
De acordo com o economista da Fecomercio, Guilherme Dietze, além dos resultados positivos em relação ao emprego, a melhora na oferta do crédito e as vendas no varejo no País, superando as expectativas, foram os principais motivos para essa alta do índice. "Esse resultado mostra a volta do otimismo dos economistas em relação aos cenários interno e externo, atuais e futuros".
O economista diz ainda que a variação acumulada do índice desde março apresentou alta de 45%, indicando uma forte recomposição da confiança em relação à economia. "Seguindo a tendência, espera-se uma nova alta para o próximo mês.
Economia atual x futura
O ISE é composto de dois sub-índices: o Atual, que analise o sentimento dos economistas em relação ao presente, e o Futuro, que mede o sentimento em relação ao futuro.
O sub-índice referente ao sentimento atual, apesar da alta de 8,5% em relação a junho, ainda permanece no patamar do pessimismo, com 84,3 pontos. Já o índice da economia futura, que teve alta de 10,9% em julho ante junho, permaneceu pelo quarto mês no patamar de otimismo, com 126,4 pontos.
Análise por itens
A pesquisa revelou que seis dos nove itens analisados estão no patamar otimista. Confira:
Cenário internacional: 145,2 pontos;
Nível atividade interna - PIB: 145 pontos;
Taxa de câmbio: 123,7
Oferta de crédito ao consumidor: 115,2 pontos;
Nível de Emprego: 111, 6 pontos;
Taxa de Inflação: 105,4 pontos;
Porém, no campo do pessimismo ainda estão:
Salários reais: 89,9 pontos.
Taxa de juro: 78,9 pontos.
Gastos públicos: 33,3 pontos.
O resultado mais pessimista ficou novamente com os gastos públicos, que continuam, desde o início da pesquisa, com a pior avaliação e foi o único a ter uma redução na margem, quando no mês anterior apontou 34,1 pontos.
Sobre a pesquisa
O ISE varia de zero (pessimismo total) a 200 (otimismo total). Sua composição, além do índice geral, engloba percepção presente e expectativas futuras. O levantamento é realizado mensalmente com cerca de cem economistas renomados de todo País, por meio de metodologia similar àquela utilizada para a apuração do ICC (Índice de Confiança do Consumidor), da Fecomercio.