Índice que mede expectativa dos economistas volta a patamar de pessimismo
Karin Sato
Cautela em relação ao futuro. É isso que é percebido pelo ISE (Índice de Sentimento dos Especialistas em Economia) de agosto.
Medido pela Fecomercio (Federação do Comércio do Estado de São Paulo) em parceria com a OEB (Ordem dos Economistas do Brasil), o ISE sofreu uma queda de 6,8% no mês passado, na comparação com julho, passando de 105,4 pontos para 98,2 pontos.
É importante sublinhar que o índice varia de 0 (pessimismo total) a 200 (otimismo total).
Trata-se de um resultado negativo, após quatro altas consecutivas, sendo que, no sétimo mês do ano, havia sido registrada, pela primeira vez, desde agosto do ano passado, pontuação no patamar de otimismo.
Motivo
Para o economista da Fecomercio, Guilherme Dietze, o resultado mostra cautela, tendo sido possivelmente motivado pela avaliação dos economistas de que, daqui a um ano, deverá haver pressão sobre preços.
Trata-se de uma consequência de três fatores: das políticas adotadas pelo governo que visavam estímulo ao consumo, a exemplo da queda da Selic, da melhora da economia como um todo e do fato de 2010 ser um ano eleitoral, o que geralmente é acompanhado de alta nos gastos públicos.
"Os economistas já apostam que, no próximo ano, o Banco Central deverá elevar a taxa de juros para conter as pressões de preços, o que tornará a taxa inadequada à economia", avalia.
Composição
O ISE é composto por dois sub-índices: o Atual, que analisa o sentimento dos economistas em relação ao presente, e o Futuro, que mede o sentimento quanto ao futuro.
Em agosto, enquanto a visão sobre o momento presente contou com alta de 3,4%, chegando aos 87,2 pontos, justamente a perspectiva sobre o futuro levou o resultado à queda, embora este sub-índice ainda esteja no patamar de otimismo, com 109,2 pontos.
Também contribuíram para a queda três dos nove itens analisados no total. São eles: Gastos Públicos, com -70% (10,1 pontos), Taxa de Inflação, com queda de 20,5% (83,8 pontos) e Taxa de Juro, com -28,5% (56,4 pontos).
Outros itens que registraram ligeira queda na margem foram: Salários Reais (-2,8%, 87,4 pontos) e Oferta de Crédito ao Consumidor (-5,4%, 109 pontos). Por outro lado, tiveram aumentos: Cenário Internacional (+10,4%, 160,3 pontos) e Nível Atividade Interna - Produto Interno Bruto (+12,4%, 162,6 pontos). A possibilidade de recuperação da economia acarretou a segunda alta no Nível de Emprego (+3,2%, 115,2 pontos).
O prognóstico para setembro é de que a cautela permaneça quanto aos principais itens que derrubaram o ISE no mês passado.
O levantamento é realizado mensalmente, contando com entrevistas a cerca de cem economistas renomados de todo o País.