Quanto tempo você tem destinado para acompanhar as atividades escolares de seu filho? Participar ativamente pode ser decisivo no desenvolvimento dentro e fora da sala de aula
Ana Carolina Nery
Vem aí mais um ano letivo. Um momento para pais e responsáveis reavaliarem de que forma podem contribuir para a educação de seus filhos, independentemente da série em que estejam. Procurar se organizar de uma forma que permita uma participação ativa na vida escolar dos filhos é uma maneira de interferir positivamente no desenvolvimento deles. É preciso ter em mente que, ao contrário do que muitos acreditam, transformar a aprendizagem em sucesso não é papel exclusivo da escola.
“Há muitos pais que não participam desse processo e isso é um problema sério que as escolas enfrentam”, afirma o pedagogo Benjamin Perez Maia, professor da UniBrasil, que atuou por oito anos como diretor de escola. Segundo ele, geralmente a desculpa dos pais gira em torno da falta de tempo por causa de compromissos profissionais. “A maioria faz somente a matrícula e deixa o filho na escola para ela sozinha ser a educadora. A escola nunca será totalmente boa se os pais não participarem para valer.”
Quanto mais cedo o incentivo, melhores os resultados, de acordo com a psicóloga Mônica Luna, professora da disciplina de Psicologia Escolar das Faculdades Dom Bosco e Universidade Tuiuti do Paraná (UTP). Segundo ela, quando os pais se fazem presentes, a tendência é que o interesse pelos estudos aconteça com mais naturalidade. “Os filhos tomam consciência da importância do aprender e passam a querer estudar porque gostam e não apenas para tirar nota e prestar conta aos pais.”
A maior presença de pai e mãe na educação fica evidente no comportamento dos alunos, segundo a professora Sandra Costa Ulsan, diretora da Escola Estadual Dona Branca do Nascimento Miranda, que tem 1,7 mil alunos nos ensinos fundamental e médio. “Percebemos que são mais educados, têm mais interesse pelas matérias e respeito pelos professores”. Ela conta que há muita dificuldade, principalmente no que diz respeito às relações pessoais, quando se trata de filhos de pais que acham que somente a escola é quem deve educar. “Esses jovens são mais retraídos, sentem-se abandonados pelos pais e o desenvolvimento é menor.”
A Escola Dona Branca é uma das mais procuradas da região do bairro Tingui desde que Sandra assumiu a direção, há oito anos, justamente por ter como prioridade a participação intensa dos pais. “Temos um grupo muito atuante de mães voluntárias para desenvolver esse trabalho. Isso traz segurança aos outros pais, que se interessam cada vez mais pela escola e conhecem melhor os professores”. Além de serem orientados a fazerem um acompanhamento em casa, estão constantemente na escola. “No caso daqueles alunos que identificamos terem mais dificuldades, o trabalho com a família é intensificado desde o começo do ano, com conversas e orientações a cada 15 ou 30 dias.”